O PORTO E O PROFESSOR PLÁCIDO
O PORTO E O PROFESSOR PLÁCIDO
Portugal (país), portugueses (povo), português (língua): todos estes vocábulos têm origem na palavra Porto – a cidade.
Embora não absolutamente provado, Cale parece ter origem no morro granítico da Pena Ventosa do Porto. Em língua antiga, significava pedra. O povo que habitava esta região eram os calaicos, e mais tarde a província romana que existiu a norte do Douro chamou-se Calécia ou Galécia, que depois deu origem à Galiza e à língua galaico-portuguesa.
Assim, o Porto antigo pré-romano chamava-se Cale. Os romanos, porque era um porto fluvial de comércio importante, chamavam-lhe Portus.
Como as tradições antigas perduram, passa a ser Portus Cale, que deu origem ao nome do condado. O resto é conhecido.
De entre os seus filhos ilustres, os mais conhecidos são o Infante D. Henrique e Fernão de Magalhães.
Entre 1874 e 1879, António Plácido da Costa, condiscípulo de Ricardo Jorge, frequentou a Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde mais tarde foi lente.
Plácido foi oftalmologista e inventor de vários instrumentos oftalmológicos (e do primeiro telescópio totalmente concebido em Portugal). O mais famoso desses instrumentos é o astigmoscópio explorador, hoje designado como queratoscópio de Plácido – “Placido’s disk” em inglês.
Este instrumento é a base científica de todo o equipamento para o estudo da córnea, tendo revolucionado esta área no último século.
O princípio é simples. Projetar na córnea, que funciona como uma lente e um espelho, círculos concêntricos pretos e brancos para depois captar a imagem refletida e estudar a morfologia (topografia) dessa superfície.
Aparelhos como o topógrafo, o orbscan e o aberrómetro, entre outros, baseiam-se nessa técnica.
Podemos estudar a córnea desta forma nas situações de uso de lentes de contacto, cirurgia refractiva (lasik-miopia) e em patologias como o queratocone (córnea deformada em cone).
“Lá na leal cidade donde teve
Origem (como é fama), o nome eterno
De Portugal (...)”
Camões, Os Lusíadas, Canto IV
O Porto e o Norte são mais que uma nação.
O professor Plácido ocupa nela um lugar de destaque e pode visitá-lo no Museu Maximiliano de Lemos da Faculdade de Medicina do Porto, na sala Ricardo Jorge.
Referências:
• Luís Oliveira Ramos, História do Porto, Porto Editora, 2000
• Joana Sequeira, História do Porto, Quidnovi 2010
• Luís Filipe Thomaz, O drama de Magalhães e a volta ao mundo sem querer, Gradiva 2018
• Fernando Branco, Os Infantes D. Henrique e D. Pedro nos Painéis de S. Vicente, Mátria digital nº 7, 2019